Experimentos, teorias, incertezas, frustrações, projetos e esperanças de um estudante de jornalismo anacrônico e idiossincrático.

Dia 678

Esse é post agrega uma conversa que se deu entre mim e o Wagner. Para quem ainda não está familiarizado o @ é com quem se fala no Twitter - serviço famoso de microblog mais utilizado no muindo. Acho que seria interessante antes de continuar a ler, dar uma passada aqui, incluindo os primeiros comentários lá no fim da página, para melhor contextualizar a discussão.

Sobre jornalismo e crowdsourcing

@Skellington Depois de muito #mimimi (por minha parte!) entendi que isso é tudo espontâneo, aleatório e incontrolável. Digo, mídias sociais.
@baiano O que não quer dizer que a gente seja obrigado a utilizar o mesmo espaço com essas novas variáveis variantes. #mimimi
@Skellington Mais ou menos sobre "isso" » http://twurl.nl/fbq5se | Que acha? Adianta... incentivar? Temos é que 'ensinar', penso assim. =D

Algum tempo depois:

@Skellington Hum, leu o link do @observatorio? Concorda que não temos como parar as 'invasões', mas devemos focar no 'crowdsourcing'? Mais ainda! Hoje li no @tdoria: "organizar as informações pode ser tão mais importante do que a própria geração do conteúdo ”. \\o
@baiano Cara, li sim. Mas essa participação precisa ter um nível de organização muito amplo e bem armado. Não é só simplesmente jogar jornalistas em meio aos leitores e vice-versa, achando que tudo vai funcionar bem. E eu concordo com o trecho que você citou do @tdoria. Além de formuladores e expositores de conteúdo, somos também, organizadores.
@Skellington Na realidade, já se produzem alguns conteúdos se as pessoas se sentem ligadas por um ideal (legendas por exemplo!) Falta pra mim isso que você disse de "amplo e bem armado", em outras palavras (mobilização). Sobre isso: http://escoladeredes.ning.com
@baiano A @thafullin entrou na discussão e já liberou sua visão quanto ao assunto.

@thafullin disse:

Eu li o artigo do @observatorio e penso que não se pode comparar o trabalho de um jornalista à simples disseminação de informação já que é muito mais amplo do que isso e não é qualquer um que pode fazê-lo. Não é só sair espalhando e compartilhando notícias por aí, deve-se apurar antes para ter qualidade de informação. Não tem como substituí-lo!

E ainda, a @BiaSalvatti entrou na conversa:

Acabo de ler o artigo. O jornalista só tem a informação porque obteve de alguém comum, porém além de escutar todos os lados do assunto, realizando assim a apuração, o jornalista ciente de todo o universo envolto ao caso, faz uma observação crítica (nem sempre certeira, é claro), mostrando assim, um ponto de vista novo para os leitores. Mas é de extrema importância que essa observação crítica seja feito afim de que os leitores criem suas próprias opiniões. Afinal, queremos ser formadores de opinião, sim, mas desde que sejam opiniões inteligentes.

Minhas impressões.

Comecemos por aqui: "não se pode comparar o trabalho de um jornalista à simples disseminação de informação" + "Não tem como substituí-lo!" (por @thafullin) e aqui: "é de extrema importância que (a) observação crítica seja feita afim de que os leitores criem suas próprias opiniões." (por @BiaSalvatti)

Para responder isso vou transpor alguns trechos do que comentei no blog do Castilho no Observatório da Imprensa no post Uma conversa com os leitores sobre a tal de crowdsourcing.

Acredito que as coisas vão acontecer de forma "espontânea" (ou como o próprio Castilho completa nos comentários do post): "naturalmente". Agora, com uma maior facilidade de acesso às ferramentas de distribuição e criação de conteúdos informativos (como os blogs), a tendência é que as pessoas assimilem atos como "comentar", "compartilhar" e "recomendar" no dia-a-dia.

O que enxergo é que temos uma geração de pessoas ainda nos primeiros estágios de aprendizagem na utilização de redes sociais, locais esses onde a maioria dos conteúdos é gerado pelos próprios usuários. Mesmo com uma enorme gama de fotos, posts, tweets e outros UGC, o jornalista (enquanto profissão) acredito que vá continuar desempenhando um papel fundamental, agora mais do que nunca, na organização, na escolha desses conteúdos e principalmente na lapidação dos mesmos, na busca da melhor ângulo, aquele que vai gerar um maior debate e posteriormente uma reflexão. Não é isso que aprendemos na faculdade? Procurar todos os lados de um fato, relatar da forma mais completa, em busca da... verdade? Porque não termos ajuda do maior interessado que são os leitores/ouvintes/espectadores?

A profissão que escolhemos vai continuar a existir, penso eu que grandes reportagens ainda serão (um dos) terrenos férteis para darmos o nosso melhor. O momento agora, acredito muito nisso, é pensarmos em como atingir esse público tão diverso que vem demonstrando cada vez menos interesse por esses velhos modelos nos negócios de informação. Hora de pensar em alternativas.

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