Experimentos, teorias, incertezas, frustrações, projetos e esperanças de um estudante de jornalismo anacrônico e idiossincrático.

O fim de um ciclo e o início de um novo

Comecei a escrever esse texto em março. Obviamente, pela pura falta de tempo, graças a emergência das prioridades da vida cotidiana (como a roupa da gente que insiste em não se lavar sozinha), e também porque não me sentia preparado para abandonar esse que foi o primeiro grando projeto da minha vida, não consegui publicar o post até agora.

É isso mesmo. Não sei bem se é o correto, mas é o que me parece certo no momento, para que possa procurar novas coisas por aí. É então com um misto de tristeza e de alegria, pela sensação de missão cumprida, que anuncio pra você que acompanhou desde o início ou que chegou por aqui agora: completamos o 100! Esse post vem falar do fim desse blog: missão cumprida.

Não que trabalhar em uma grande empresa de comunicação logo após sair da universidade seja sinônimo universal de completude de vida, mas essa foi uma dos metas que tracei quando comecei o blog: ser contratado. Mas (definitivamente) ela não era a única.

O De Zero a Cem nasceu em um momento em que eu amava reality shows. Ok, ainda gosto muito do formato, apesar de não acompanhar com regularidade nenhum no momento; mas a ideia era documentar o sair do 'zero' no interior de Minas Gerais e chega até os 'cem' por cento do que seria "começar uma carreira de sucesso". Prepotente, não? Eu não achava.

Durante os quatro anos de universidade tentei escrever o que se passava na minha cabeça, deixando impressões e comentários sobre a vida universitária, a formação que escolhi - ser jornalista - e claro as repercussões disso no meu dia a dia. Vou tentar fazer um breve-longa restrospectiva:

Em 2007, o blog começou e permaneceu durante seu primeiro ano como um pegada extremamente pessoal, recheado de vídeos com minha rotina entre as ruas de viçosa e o corredores da universidade. Tem de tudo, desde vídeo de bebedeiras homéricas, passando por post-desabafos e momentos completamente aleatórios dos quais eu tenho orgulho de ter registrado.

Usava um celular Sony W300i com uma resolução ínfima (algo em torno de 178x128px) para fazer os vídeos, áudios e tudo mais o que conseguia produzir com aquilo, editar e publicar por aqui. Era amador, chegava muitas vezes beirar o tosco, mas amava tanto fazer o blog, que mesmo sem um computador próprio eu produzia sempre com muito gosto o que vocês hoje chamariam de vlog.

Os meses se passaram e a vontade (e o tempo) de escrever foi diminuindo drásticamente. Pensando hoje, talvez 2008 tenha sido o ano mais complicado de todos pra mim na universidade, e por mais que o arquivo do blog diga ao contrário, foi nele que menos coloquei posts interessantes por aqui.

Talvez o experimento com o 12seconds, uma espécie de Twitter em vídeo; esse post sobre a chegada do Carlos D'Andréa em Viçosa, que viria a ser meu orientador de TCC, ou ainda esse sobre bullying, sejam os únicos que realmente contribuíram alguma coisa pra narrativa do dezeroacem, mas não são nada demais perto dos do ano seguinte, que pelo contrário, foi um ano bem interessante para o blog. Um ano de crescimento, invenção e de reconhecimento.

Comecei 2009 com essa postagem no dia 678 discutindo um artigo do Observatório da Impresa que falava sobre a emergência do jornalismo participativo/cidadão, assunto que estava bastante em pauta naquela época.

Com o título Sobre Jornalismo e Crowdsourcing, juntei nessa postagem uns tweets que troquei com uns amigos durante a madrugada sobre o artigo do Observatório para um produzir um texto coeso que refletisse o discutimos sobre o assunto.

Foi o primeiro post de sucesso aqui do blog, principalmente porque o jornalista e professor universitário Alec Duarte falou da experimentação em seu blog, o Webmanário: "Vejam o nível de conversação que o microblog, caótico por natureza, está produzindo diante de nossos olhos", disse ele sobre o formato que dois anos depois seria uma das bases do meu projeto de conclusão de curso.

Ainda em 2009, o jornalista Robson Leite, naquela época analista de mídias convergentes do grupo de comunicação Diários Associados, foi a Viçosa ministrar uma palestra sobre "convergência de mídias". Na oportunidade, fizemos (eu e meu camarada, Luiz Nemer) uma entrevista em vídeo com o cara para discutir esse assunto: outro momento incrível do dezeroacem.

A produção de vídeos não voltou com força como era no primeiro ano, mas no início de 2011 produzi um diário de viagem sobre minha ida a Campus Party 2010, com certeza um dos eventos mais divertidos e importantes em toda minha vida.

Pouco depois, publiquei um um texto sobre o programa Assunto do jornalista Pedro Bial (sim, o mesmo do BBB, rs) que despontou assim que publicado como o mais acessado do blog; posto que ocupa até hoje, justamente por ter sido indicado pelo cara mesmo no Twitter dele, o @pbial.

Foi momento incrível de reconhecimento pra mim, tanto obviamente pelo retweet do próprio assunto do texto (rs), mas também por ter recebido muitas respostas no Twitter de pessoas comuns que realmente começaram a ler o blog depois daquele boost e continuaram a seguir as loucuras que publiquei por aqui.

Hoje, no dia em que começo o vigésimo quinto ano da minha história, olho pra trás e consigo entender claramente o quão importante esse blog foi pra minha formação profissional e pessoal. Mais ainda, hoje eu tenho certeza que sem ele, eu não teria chegado até aqui, escrevendo, pesquisando e principalmente experimentando todas as coisas que apreendi e conheci. Aqui se encerra um ciclo para começar outro, porque o que importa - como diz o clichê - não é o destino, mas sim o caminho que você percorre até chegar lá.

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